quinta-feira, 6 de março de 2008

Título provisório

observação: Este esboço de Projeto de Pesquisa, eu fiz para começar a ter mais clareza quais as disciplinas neste momento, poderiam ajudar em minha pesquisa./Primeiro semestre /março2008/

Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Programa de Pós-Graduação em Educação - PPGEDU

PROJETO DE PESQUISA:

"Os múltiplos tempos e espaços ocupados pelas alunas-professoras do PEAD".

LINHA DE PESQUISA: EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA




  1. Definição/ formulação do problema

Além da medição propriamente dita, pretendo captar os aspectos de interpretações desse novo tempo pós-moderno, como elas interiorizam esse novotempo que se encurta”, segundo David Harvey em seu livroCondição pós-moderna”: “O tempo se encurta e temos que aprender a lidar com um avassalador sentido de compressão de nosso mundo em relação ao tempo e espaço”. Desta maneira o objetivo é captar como projetam sua visão na sociedade, que visão elas tinham da sociedade contemporânea, então esta pesquisa partiria desta idéia: captar a vivência e transformação possível destas alunas-professoras a partir do curso.

Quais implicações o convite para inserção nos “ciber”, que podemos dizer que é o tempo inserido na pós-modernidade, está mexendo com as vidas em todos os âmbitos das alunas-professoras dessa cidade interiorana.

A inserção ao cibertempo, ciberespaço, cibercultura, a partir do PEAD, (saliento aqui que meu pensar sobre cibertempo não está voltado à questão de tempo relacionado com a máquina, está voltado para a experiência subjetividade do tempo, a esse universo que foge ao controle do tempo marcado pelo relógio, tempo industrial, tenho a intenção de fazer um aprofundamento sobre essa conceituação).

  1. Justificativa

Venho vivenciando desde o início do curso, em que comecei a analisar, dentro dos tempos relacionados com a história, as questões vivenciadas sobre os tempos vividos pelas alunas-professoras no Pólo de Três Cachoeiras, a partir das atividades desenvolvidas pelo Seminário Integrador, como Reflexão sobre a organização de nossos tempos, Memorial e O Inventário. Podemos observar nitidamente este trânsito sobre os tempos vividos, ou seja, tempo objetivoem que se permite situar um evento, marcar horário – e tempo subjetivoque nos permite conhecer, vivenciar esse encontro, amadurecer as relações, nossos estados subjetivos, nestes múltiplos universos, neste leque de possibilidades de investigações.

Podemos observar, entre outros tempos, o tempo cíclico: tempo da igreja, tempo da comunidade, sobre o tempo social, pertencente a uma das oito categorias classificadas pelo sociólogo Gurvith (Apud, David Harvey). No tempo objetivo, podemos utilizar essas categorias, como tempo à frente de si mesma, que envolve as questões de ser professoras, mãe, dona de casa. E agora, tempo de ser aluna-professora em um curso de modalidade à distância, que observo como um convite ao tempo subjetivo, tempo de criação, tempo de mergulhar em si mesma. Também recorro às categorias de Gurvith, quando ele nos traz as questões tempos explosivos, que vejo como o ápice do mergulho feito através do tempo subjetivo.

Discorrendo um pouco sobre o sociólogo Gurvith, suas concepções de tempo social estão baseadas no trabalho de Fernand Brandel, que nos traz a noção de tempo baseado em longa duração, curta e média. Enfatizando estas concepções voltadas para o tempo social, construído nos caminhos dos homens, demarcando gerações, criando ritmos que regulam suas vidas, seus trabalhos e suas linguagens. Neste recorte de tempo social, Gurvith formou as oito categorias dos tipos de tempo social.

Extraí algumas postagens em que observamos as expectativas, vivências e o processo de transformação que está ocorrendo, a partir do PEAD, no que tenho a intenção de me aprofundar a partir da metodologia que envolve a micro análise.

Fórum/Seminário Integrador/realizado no inicio do curso: Reflexão sobre organização de nossos tempos.

ALUNA A:

Tendo em vista que a vida do professor é realmente acelerada, cheia de afazeres, é necessário refletir muito antes de assumir esta profissão.
É preciso ter coragem e persistência para realizarmos todos os afazeres que o mundo moderno nos impõe:atenção aos filhos, o lar, compras, contas à pagar, escola, enfim...
Devemos procurar dividir o tempo de maneira adequada para que se tenha espaço para tudo, não falhando em nenhum dos compromissosnecessário planejar tudo que será feito, assim conseguimos nos organizar no tempo. acreditamos ser difícil, é mais fácil então dizermos que não temos tempo.” Neste depoimento ou podemos chamar de desabafo podemos verificar o que segundo Deis Siqueira e Lourdes ,discorre em seu artigo “...A construção da identidade feminina” , em que nos traz :” A construção da identidade, do cotidiano e do tempo das mulheres, há um fundante e fantasmagórica presença dos outros (“como da conta”, os homens,os filhos , o pai , a família,o chefe,o colega, o patrão ..”

Neste mesmo artigo as autoras nos trazem um depoimento, como disse a Aluna A no desabafo acima, com o seguinte: em 1739, a lavadeira Mary Collier, afirmava em seu poema registrado por Thompson (1984, 269 e 270),

"...quando de volta a Casa estamos. Ai! Sabemos que nosso Trabalho apenas começou; Tantas coisas requerem nosso Cuidado... As criancas na Cama, com o maior Cuidado. Todo o necessário para o vosso retorno preparamos; vos jantais e sem demora a Cama vão, e descansais até o dia seguinte. Enquanto nós, ai! Pouco Sonho podemos desfrutar, pois nossos madrugadores Filhos choram e gritam ... Em todo Trabalho temos nossa devida Parte; e desde o Dia que começa, trabalhar na Colheita, até cortar e guardar o Grão, Nossos trabalhos e tarefas cotidianos são tão extremados, Que quase nunca Tempo para sonhar temos."

ALUNA B:

“Querida professora, o nosso tempo não está sendo fácil, porque trabalho, família, a faculdade e a tarefa da casa,mas não podemos desanimar. É importante para ter um curso superior tem que pedir muito para Deus ajudar nas dificuldade que estão surgindo no decorrer do tempo.”

Postagem no Webólio/ Memorial/ atividade final do Seminário Integrador I

Ao transcorrer o primeiro eixo, podíamos observar a movimentação das alunas-professoras no sentido de acordar ,estabelecer com seus pares novas maneiras, novas estratégias em seus relacionamentos privados e públicos.

A entrada no PEAD e com o decorrer da caminhada, percebo a possibilidade de criatividade, a partir da construção subjetiva, de seu tempo, este leque que se abre ou de ocupar espaços até entãonão sonhados”, não possível, como o cibertempo, ciberespaços e cibercultura.

As provocações vindas com as interdisciplinas, envolvendo o pensar e repensar seu papel ou seus diversos papéis, sendo assim sujeito atuante neste processo.

É necessário repensar o tempo mulher, que segundo Deis Siqueira e Lourdes Bandeira tem “limites impostos pelo cárcere destinado a criar as condições de vida e de reprodução para os outros...”. Trazendo um olhar para as alunas-professoras, digo, deixando de simplesmente ser a professora nos moldes pré-estabelecido, a mulher, mãe e sim agora como aluna, que podemos esperar umabalo sísmico” em suas vidas? O que desvendar e esperar dessas novas possibilidades, nos múltiplos tempo e espaços ocupados, e os possíveis enfrentamentos através deles.

ALUNA A;

“As mudanças decorrentes da experiência deste curso na vida pessoal, ainda que num curto espaço de tempo, são infinitas. Além de todo o entusiasmo distribuído a todos que fazem parte da minha vida, os reflexos desta nova jornada aconteceram até mesmo no âmbito familiar, onde a partir dessa experiência todos, sem exceção, adotamos novas posturas, desde a reorganização do tempo até a da vida familiar e social.” Percebo aqui uma nova identidade que passou a incluir a profissional,mãe , agora a aluna (de um ensino com modalidade a distância, o pertencimento a mais de um grupo, transpor os obstáculos ao sonho e ao extraordinário. Necessário negociar novos acordos entre o privado e público, ou seja entre a família , trabalho e outras demandas que inclui o social, que desejo investigar ( igreja, comunidade, etc.).

ALUNA B:

“Eu me inscrevi para o vestibular da UFRGS em Três Cachoeiras, Deus me ajudou. Fui aprovada no vestibular, comecei o curso de pedagogia no início foi muito difícil, principalmente no que se refere a tecnologia. Mas tenho o aprendido bastante com as atividades com os textos, com as tutoras e com os colegas do curso. Tenho enfrentado muitas coisas difíceis, como conseguir o transporte para me deslocar ao pólo, doenças na família, de repente um lá de casa fica doente, tenho que levar para consultar e com isso atraso-me nas atividades. Às vezes até penso em desistir, mas com muita luta vou em frente.”

Postagem no webfólio/ Inventário produzido no final do eixo2/Seminário Integrador II

ALUNA A:

Tive que me organizar melhor em relação ao tempo com a família, reduzir as horas de lazer, dar prioridade as atividades de maior importância para que os envolvidos no âmbito familiar não viessem a ser prejudicados com a exigência que o curso ofereceu. Senti o quanto minha postura como mãe, filha e esposa se consolidou através das leituras, da própria internet, vivência com as pessoas no pólo me proporcionaram conhecimentos indispensáveis para uma melhor qualidade nestas áreas. O estudo do olhar, por exemplo, fez com que eu refletisse e com isso passei a ver minhas atitudes, assim como os demais membros da família, de uma forma diferente, entre muitos outros conhecimentos adquiridos ao decorrer deste curso.

ALUNA B:

“Eu mudei de idéia quando percebi que a internet era um instrumento de apoio, e comunicação. Mudança que eu fiz com meu pai ele saiu de casa para cuidar dos meus filhos na minha casa, para meu marido me trazer no pólo de carro quando não tem transporte.Muitas vezes meu marido não pode fazer os serviços dele, porque tem que cuidar das crianças para eu ir no pólo. “ .

Observo através de seu depoimento que também gosto de dizer um desabafo, que esta aluna B, em seu memorial eixo1, a questão histórica de “dar conta de todos os afazeres que envolve a famíliaque podemos conceituar segundo Deis Siqueira e Lourdes Bandeira o tempo da mulher, tempo feminino que são “os afazeres, dos afetos, dos cuidados”, está marcado em seu desabafo. Mas neste eixo2, podemos observar os espaços percebidos, os espaços conquistados, através de sua caminhada, através desse novo olhar despertados, a partir do macro para o micro. Segundo o artigo “A Construção da subjetividade nos espaços macro e micro políticos”, de Marie Jane Carvalho, “As negociações, os agenciamentos, as intensidades experimentas por homens e mulher compõem um plano de consistências nos dois níveis, macro em micro políticas ”. Penso que a questão da conquista de um tempo, a partir do PEAD, escapando do labirinto construído, sobretudo o domestico, mesmo aqui nos referindo a uma professora, mas o doméstico que tem mais valor, ou tinha. E esta caminha para a ruptura de “não ter tempopara pensar seu ritmo, recuperar sua história em seu tempo mágico, ou seja seu tempo subjetivo e construindo um outro sujeito, uma outra mulher, seus sonhos, desta maneira fortalecendo as negociações em seu espaço privado, que são as micro políticas, como podemos ler em seu inventário.

3 .Objetivos:

Considero prioritário dar luz à importância do desenvolvimento de cursos de graduação em EAD com qualidade, ao compromisso de inclusão educacional e qualificação docente, utilizando esta modalidade.

Direcionar os holofotes ao pólo específico Três Cachoeiras, devido a todas as especificidades que esta localidade traz, dentro de um contexto de uma cidade pequena. As mudanças possíveis que estão ocorrendo com essas alunas-professoras em todos os âmbitos de suas vidas, este transitar pelos diferentes papéis que ocupa o cotidiano dessas mulheres.

4. Considerações Teóricas:

A Micro-história será uma de minhas referências teórica, porque trabalha com a micro análise que segundo Jaques Revel “é o recurso que foge dos moldes tradicionais que envolvem a história social, que trabalha com a macro análise, deixando escapar os comportamentos e experiências sociais, a constituição de identidade de grupo e se proíbe por força do método trabalho de integrar dados mais diversificados possível”.

Podemos dizer que a micro analise mapeia de modo a entender as teias que envolve o objeto pesquisado, aqui a fim de compreender as relações das alunas-professoras consigo e com os outros indivíduos nos mais diversos âmbitos de suas vidas.

O historiador Eric Hobsbawm – em seu artigo “O presente como História” diz, “... quando não estamos escrevendo sobre tempos passados, mas sobre nosso próprio tempo, é inevitável que a experiência pessoal desses tempos modelem a maneira como os vemos e até a maneira como avaliamos as evidências, opiniões”.

Na continuidade de minhas leituras, começo a pensar em desenvolver uma pesquisa que também cruze com a micro análise as questões que envolvem a antropologia, porque o trabalho de campo está em minha intenção, e com isso cotejando análise voltada para a fenomenologia. É um conceito de que tenho que me apropriar com mais clareza, até o momento estou lendo dos autores Maria A. T . Bruns e Adriano F. Holanda “Psicologia e Fenomenologia”, em que encontramos os seguintes passos: 1) inserção teórica do problema ( a partir do resgate de algumas elaborações anteriores feitas e também como acréscimo de novas perspectivas oriundas de pesquisa), 2) coleta de depoimento, 3) avaliação do depoimento, 4) Aproximações entre teoria e prática. Estes passos apresentam subdivisões, que nos cabe especificar.

Desta maneira, estou em um desafio: como trabalhar com estas e outras teorias que estou me apropriando, ou verificar em minha caminhada outras possibilidades, por que não? Para me aproximar ou analisar meu objeto de pesquisa, registro que não me sinto muito à vontade para usar esta denominação, ou seja objeto de pesquisa”, penso que não me sinto a vontade pela conceituação que temos de objeto, pois estamos lidando com emoções.

5. Metodologia

Aqui ainda não me encontro a vontade em discorrer, pois as questões teóricas até o momento levantadas, penso que envolvem diversas possibilidades de metodologia a serem utilizadas, e tenho dúvidas como: utilizarei questionários, para verificar os tempos utilizados e os espaços ocupados em determinado situação? Analisarei também os materiais que estão disponíveis no Rooda, que são valiosos para acompanhar sua trajetória? Também tenho o desejo de ir às comunidades onde as alunas-professoras moram e desenvolvem suas atividades, seria apropriado? Desta maneira, acredito na caminhada dentro do mestrado e nas orientações, as “arestas” começaram a ser fechadas com os estudos.

6. Plano de Estudos:

7. Cronograma:

8. Fontes de pesquisa:

Condição pós-moderna – David Harvey

Jogos de Escalas /A experiência da micro análise – Org. Jaques Revel

Sobre A história Eric Hobsbawn

PEAD - Seminário Integrador I - FórumReflexão sobre a organização de nossos tempos.

PEAD – Seminário Integrador I - Memorial

http://ca.geocities.com/raidhosn/index.htm

Etapas do Projeto de PesquisaDisciplina de Técnica de Pesquisa I

Artigo: A construção feminina do tempo – Deis Siqueira e Lourdes Bandeira./Estudos Feministas – Universidade de Brasília .

Artigo: A construção da subjetividade nos espaços macro e micro-políticos/ Carvalho, Marie Jane SoaresJornal de Ulbra, n. 49, p. 12 maio 1992

Psicologia Fenomenologia / Reflexões e Perspectivas – Maria Alves de Toledo Bruns e Adriano Furtado Holanda

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